Prisão de filho põe em xeque candidatura de Admir a deputado estadual

18/05

Bruno Coelho

 

Um dos maiores desejos do prefeito licenciado de Mauá, Atila Jacomussi (PSB), era eleger seu pai e presidente da Câmara dos Vereadores, Admir Jacomussi (PRP), a deputado estadual em outubro. Sonho que começa a ruir a partir da prisão do chefe do Executivo no dia 9, pela PF (Polícia Federal), por meio da Operação Prato Feito. Agora a candidatura do parlamentar à Assembleia Legislativa está em segundo plano no clã Jacomussi.

 

Com 69 anos e saúde debilitada, Admir não conseguiu disfarçar o seu abalo emocional ao ver o filho encarcerado. Neste momento, o foco do pai é acompanhar a defesa do prefeito, que foi conduzido por agentes federais, sob suspeita de lavagem de dinheiro, à superintendência regional da PF, em São Paulo, pela apreensão de R$ 87 mil em notas vivas em sua residência, sem origem clara. Por essa razão, não se fala mais em candidatura ao Parlamento paulista.

 

Admir também participou da primeira batalha no âmbito político após a prisão do prefeito, com o pedido de impeachment protocolado pelo PT no início da semana. Para evitar surpresas, o presidente do Legislativo teve atuação interna para evitar surpresas. No fim, mesmo preso, Atila ainda mostrou força: 20 votos a um pelo arquivamento da abertura do processo de cassação.

 

Integrante do triunvirato no comando do governo, ao lado do chefe do Gabinete e secretário de Comunicação, Márcio de Souza, e do superintendente da Sama (Saneamento Básico do Município de Mauá), Israel Aleixo, Admir orienta a prefeita em exercício, Alaíde Damo (MDB), alheia ao caos político em Mauá. Na prática, é como se o vereador exercesse grande influência no Legislativo e no Executivo.

 

Entre aliados, a candidatura de Admir já é colocada em xeque, não apenas no foco de tirar o próprio filho da cadeia por meio da prisão preventiva decretada pelo TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3º Região) há uma semana. Também pesa, na avaliação de vereadores e integrantes do governo, os efeitos perante o eleitorado de uma prisão de um prefeito em pleno mandato, algo que nunca antes ocorreu no ABC.

 

Atila queria aproveitar o escopo eleitoral de 2014, quando ingressou à Assembleia Legislativa por meio de 62.856 votos. Para que o clã Jacomussi retomasse a cadeira de deputado estadual, o núcleo duro do governo conseguiu amarrar uma forte aliança entre vereadores da base aliada. O único dissidente foi Ricardinho da Enfermagem (PTB), que também banca a mesma pretensão para eleição de outubro.

 

O RD tentou entrar em contato com Admir, mas o vereador não foi localizado.

 

STF

 

Prestes a completar 10 dias preso na Lapa, zona oeste de São Paulo, Atila enfrenta dificuldades para sair da carceragem da superintendência regional da PF. Inicialmente, a 1º Vara Federal Criminal julgou como legal a sua prisão, convertida de temporária para preventiva pelo TRF-3. Na quarta-feira (16), o ministro do STJ (Supremo Tribunal de Justiça) Rogério Schietti negou o pedido de liminar do habeas corpus.

 

O advogado Daniel Bialski já ingressou junto ao STF (Supremo Tribunal Federal) com pedido de do habeas corpus acompanhado pela mesma liminar, para que Atila responda à Operação Prato Feito em liberdade. Até a noite desta sexta-feira (18), não havia a definição de quem seria o ministro relator do processo.

 

https://www.reporterdiario.com.br/noticia/2510175/prisao-de-filho-poe-em-xeque-candidatura-de-admir-a-deputado-estadual/