Bialski em Foco



Justiça de São Paulo julga hoje pedido para revogar preventiva de Paulo Preto


Por André Guilherme Vieira | De São Paulo

 

A juíza da 5ª Vara Federal Criminal de São Paulo, Maria Isabel do Prado, deve julgar hoje pedido feito pela defesa do ex-diretor da Desenvolvimento Rodoviário S.A (Dersa), Paulo Vieira de Souza, para revogação da prisão preventiva do engenheiro, decretada na sexta-feira a pedido da força-tarefa da Lava-Jato do Ministério Público Federal (MPF) paulistano.

 

A prisão preventiva de Souza, conhecido como ‘Paulo Preto’, foi decretada porque ele teria tentado coagir Mércia Ferreira Gomes, ex-funcionária da Divisão de Gestão Social da Dersa. Ela é a principal ré colaboradora de processo criminal por supostos peculatos envolvendo R$ 7,7 milhões e que teriam sido praticados em reassentamentos no eixo de obras do Rodoanel Sul, da Avenida Jacu-Pêssego e da Marginal Tietê, entre 2009 e 2011, em São Paulo

 

Paulo Preto é acusado pela inclusão de cerca de 1,8 mil falsos beneficiários de desapropriações – fato que ele tem negado. Ele chegou à Dersa como diretor de Relações Institucionais durante o governo Geraldo Alckmin (PSDB), em 2005. Em 2007 foi promovido a diretor de Engenharia pelo então governador e atual senador pelo PSDB de São Paulo, José Serra.

 

Em depoimentos prestados no mês passado ao MPF, Mércia relatou ter recebido ameaças em ao menos três oportunidades, feitas por pessoas que teriam agido a mando de Paulo Preto.

 

De acordo com os relatos, ela sofreria retaliações dentro da Dersa, enquanto ainda ocupava o cargo, e também enfrentaria consequências na vida pessoal, se decidisse levar adiante as denúncias feitas na época ao Ministério Público estadual de São Paulo. Mércia acabou exonerada da Dersa por justa causa. A investigação foi enviada ao MPF porque as obras em que teria havido peculato contaram com recursos oriundos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

 

No pedido de revogação da detenção preventiva, o advogado Daniel Bialski sustenta que as supostas ameaças “estão baseadas no depoimento de co-acusada”, que remetem a “tempo longínquo, não se tendo notícia atual ou recente de novos motivos que pudessem dar sustentação e contemporaneidade ao decreto de custódia cautelar”.

 

A defesa do ex-chefe do Departamento de Reassentamentos da Dersa, José Geraldo Vilela, também pediu que a juíza revogue a prisão.

 

O advogado Fernando Araneo argumentou que Vilela precisa exercer a profissão de engenheiro para sobreviver e solicitou a aplicação de medida alternativa à prisão.